Ex-deputado, que em 2022 foi o segundo mais votado do Distrito Federal, perdeu mais de 116 mil votos e ficou sem a reeleição. Candidato do Missão, com poucos recursos, foi o mais votado do partido.
As eleições de 2026 no Distrito Federal tiveram uma das viradas mais comentadas da disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. Fred Linhares, que em 2022 recebeu 165.358 votos e foi o segundo candidato mais votado do DF, teve 48.594 votos agora e não conseguiu se reeleger. A queda foi de mais de 116 mil votos, e ele era tratado como praticamente eleito antes da apuração de 4 de outubro.
A fiscalização que viralizou
Entre os fatores apontados para a queda está a atuação de Victor Rattes, candidato a deputado federal pelo partido Missão. Ele publicou uma série de vídeos fiscalizando o mandato do então deputado, e o conteúdo somou mais de 2 milhões de visualizações.
Segundo Victor, os dados mostravam:
Faltas: mais de 60% de ausências em comissões em 2025, com mais faltas do que presenças. Agenda na TV: ele acusou o parlamentar de apresentar seu programa na Record, no Balanço Geral, no mesmo horário em que deveria estar na Câmara. Ele lembrou que os deputados trabalham presencialmente três dias por semana (terça, quarta e quinta). Cota parlamentar: gastos excessivos, com destaque para combustível, que teriam passado de R$ 99 mil em recursos públicos. Emendas: recursos que, segundo ele, foram enviados para fora do Distrito Federal. O prejuízo eleitoral
O que mais chama atenção é o tamanho do estrago. Um candidato que era visto como favorito perdeu cerca de 70% dos votos de uma eleição para a outra. O caso mostra que uma fiscalização bem-feita, apoiada em dados públicos e com linguagem acessível, pode ter efeito eleitoral enorme na era das redes sociais.
Davi contra Golias
Victor Rattes também não conquistou uma das oito cadeiras do DF na Câmara dos Deputados. Ainda assim, foi o candidato mais votado do Missão, com 8.263 votos, quase 50% de toda a votação da legenda. Isso aconteceu em uma campanha de recursos escassos, sem a estrutura de quem disputa com máquina e visibilidade.
O resultado é um dos episódios mais curiosos de 2026: um favorito despencou, e um nome novo, sem estrutura, ganhou espaço ao colocar o mandato de um parlamentar sob escrutínio público. Para eleitores e candidatos, fica a lição de que o voto também responde à transparência e à prestação de contas.
